sexta-feira, 21 de outubro de 2011
domingo, 16 de outubro de 2011
Silêncio
Seus olhos guardam uma escuridão que me repele me empurra pra longe. E eu não te decifro, só adivinho que tudo em você é denso e carregado. Te pressinto. Mas não faz barulho, tens um âmago silencioso e constante. Como uma criatura selvagem e desconhecida, monstruosamente grande, mas que se move devagar. Nada arde. Nada irrompe por nada. Arrasto-me feito a serpente por entre tuas vísceras e por entre tuas dores. Te adivinho. Te pressinto… Cresceu a grama, porque você não tem tempo para cuidar destes jardins macabros. E a areia escorrega nas curvas da ampulheta, grão a grão. O tempo passa devagar, se arrasta por tuas veias. Não temos tempo. Será que já te disse isto? Você deseja o tempo, mas ele sempre lhe escapa por entre os dedos. Você não o tem. Em todos os sentidos. Te pressinto! E me repeles. E me arrasto por tuas cavidades e cavernas. Por tuas frestas, tuas brechas, tuas janelas, tuas entranhas. Te pressinto, e chegas. E já não me repele mais. E me cobre com tua sombra, que se projeta sobre todos os meus passos. Te sinto. Em cada veia.
Assinar:
Comentários (Atom)