domingo, 16 de dezembro de 2012

Me ame. Amando.

Está tudo escuro!
Segura minha mão! Você está quente! 
Coloca a mão aqui no meu peito, parece que estou descendo uma ladeira sem freio. Tá escuro, me dê sua mão. Sentir você por perto me acalma. 
Como foi que chegamos aqui? 
Quem programou esse destino?
Prefiro quando acontece sem esperar… Sussurro no seu ouvido e você se arrepia toda. Você tem um cheiro bom. Chega mais perto, quero encostar na sua nuca, no seu pescoço. Você se encolhe quando minha barba toca levemente sua pele. Sua respiração aumenta. Gosto do cheiro do seu hálito quente… ofegante. Sinto que já não há mais limites entre nós. Está tudo escuro, mas já consigo enxergar um pouco mais. Seus olhos estão atentos. ME OLHA! Vou despir todas as minhas vestes, todos os meus escudos. Quero a sua boca em mim. Me beija. Beija como se tivesse de fazer isso para se salvar de um sufocamento. Você é tão linda. Deixe-me olhar no fundo dos seus olhos. Mirar seus medos. Seus desejos. Guia minhas mãos pelos labirintos do teu corpo. Entregue-se pra mim. Renda-se. Já não está mais tão escuro. Consigo ver os contrastes, os detalhes do seu corpo. Me dê sua mão, agora quero que sinta como me sinto. Como pulsa meu corpo. Como quero que descubra o que tenho aqui para te entregar. Sente! Envolva-me. Beijo seus seios. Suas aureolas. Os bicos estão rígidos . Passo a língua. Sua pele é macia. Seu gosto invade minha boca. Me alimenta. Guie minhas mãos sem temer as descobertas. Seus pelos… Está clareando. Tem um dia nublado pintado na janela. Vou invadir seu corpo. Invadir com força enquanto você se movimenta como se estivesse dançando perdidamente entregue a música que dita o ritmo de nossas investidas em cada segundo desse momento em que temos a chance de descobrirmos o que nos trouxe aqui. Você está toda molhada. Melada. Ordeno que sente-se no meu colo… estas escorrendo pelas coxas. Mova-se! Jogue o corpo para trás. Estou dentro de você! Você sobe, eu subo junto. Somos um só. Pulso como uma bomba prestes a explodir o mundo. Quero mais de ti. Quero ouvir seu som. Seu gemido no meu ouvido. Me pedindo mais. Você pede mais. Eu entro mais. Já clareou. Estamos aqui. Veja nossa imagem se refletindo na janela. Nossos sentidos aguçados. Fique de costas para mim. Quero me divertir te olhando. Vou chegando mais perto. Você está com as mãos na parede, de frente para o espelho e vejo faíscas saindo de seus olhos. Chego mais perto. Sente meu cheiro. Nosso cheiro. O Universo despenca ao redor. É o que tenho pra você. Minha vontade, meu intenso desejo de te levar…Me beija. Lábios intensos. Lábios molhados. Quero seu último suspiro. Morra sobre mim e reencarne novamente! Estamos sós. Amanheceu. Me ame. Amando. 
Tico Santa Cruz

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Repasse a fala, desamasse o rosto, esteja posto! Estou indo embora.

Novembro (mês nostalgia)

Seus olhos serrados, sua boca rosada.
Gosto de te ver assim, esparramada na minha cama, perdida entre os lençóis brancos...
Seu corpo dando forma aos espaços vagos da minha visão.
Gosto de estar assim, deitada na cama, falando bobeira, beijando teus ombros, dividindo a canção.
Seu gosto juvenil, tua pele macia; Sorriso de bom dia, ar de noite fria...
Gosto das brigas sem sentido, do gesto inesperado de ir embora e em seguida uma busca, um beijo de redenção.
O modo bobo de falar, o jeito delicado de tocar; A persistência, indiferença, mansidão, compreensão...
Acordar de madrugada, morrer de calor, tomar água e dormir agarrada.
Trocar de chinelo, brincar de Carro Amarelo, pãozinho com requeijão.
O ciúmes possessivo, o jeito escandaloso de chamar atenção.
Os tapas merecidos, os beijinhos de 'sararão'.
Nosso amor de verão, que durou o ano todo... 

Depois dos ventos penosos de Agosto à Outubro, finalmente, Novembro.
E ao que se sente do vendaval, deixe que se sopre ao tempo, um merecido final.


domingo, 10 de junho de 2012

É fato.

Inconstante. Essa é a palavra que descreve o nosso sentimento. Unilateral, essa colisão de esforço vulnerável a pequenos gestos e sensações-não-experimentadas. Recíproco, mas por que tão custoso? Se o que a gente tem a sonhar, jamais se igualará ao que foi dado e preenchido pelo teu coração? O sentimento puro, leve à alma; Você não é achável por aí. Eu sempre me lembro de te olhar intensamente antes de ir embora, para nunca me esquecer que é você quem estou deixando ao atravessar a porta. São movimentos únicos e ternos que faço, quando a questão é você. A maneira como cumprimento o seu porteiro, a maneira como acaricio sua gata, como te prendo num abraço. Isso por causa do amor incontrolável que pula do seu peito para o meu e inunda meus olhos com um brilho insano de uma criança que só deseja receber afeto após afeto. Porque o que eu encontro na rua é lixo demais para minha mente, é sujeira em excesso que gruda na minha pele e mistura a minha cor, fazendo com que eu só me sinta livre disposta viva esbelta e inabalável quando eu sou obrigada a lavar minhas mãos vinte e sete vezes porque a sua paranoia me impede de tocá-la sem estar completamente limpa de toda aquela corrupção corporal e emocional. E mesmo assim é de você que eu não sei o que esperar - e nem posso pensar em revidar! - pra ser boba basta entrar na onda, basta jogar. Mas a verdade é que quanto mais eu tento desfazer, quanto mais eu tento fugir mais eu me enrolo e me enrosco na cabana de cobertor, mais eu me perco nos vinte e dois botões do seu elevador mas juro com a intenção de não nos magoar e não nos aprisionar naquilo que todo mundo chama de amor, porque enquanto é tempo eu gasto nosso tempo subindo de escada e evitando seus vizinhos e todas aquelas sensações de que com você é diferente por você ser diferente e isso me torna diferente da minha realidade que agora é outra e que me faz ser mais dependente daquilo que não é achável, daquilo que não é estável e que me deixa sem dormir. É difícil mas eu soco meu estômago todos os dias e vou para sua casa de barriga vazia só para garantir que não há borboletas para eu regurgitar quando te encontrar. Eu vivo de acrobacias para garantir a sua alegria que sempre duram por alguns dias e depois se tornam lagoinhas. Mas mesmo com toda essa contradição, com essa vida na contra-mão não me é mais aceitável dizer não, talvez eu esteja mesmo repleta da sua indiferença, daquele seu modo mesquinho de demostrar que se importa, e que mesmo negando e te deixando eu já não sei fazer mais nada a não ser diferente de todo mundo que não é como a gente. Talvez o nosso amor tenha nos invadido pela boca, enquanto a gente se olhava e sorria diante das baixarias que a gente vivia. Talvez eu esteja contagiada por um tipo de sintonia que eu sentia quando menininha, aquelas idealizações de criança na hora de 'gostar'. Talvez, sei lá! Nunca me ficou tanto tempo na cabeça um trecho do teatro mágico "que o teu afeto me afetou, é fato". De repente não seja assim tão raro, se encantar com o amor inimaginável.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Morena

Hoje é um daquelas dias em que só chove. Acordei, abri a janela, e vi o céu cinza, nublado, triste. Não fiz nada a não ser a voltar para minhas cobertas, fechar os olhos e me perder na escuridão que inundava minha mente. Pensei em você. É um dia triste, tudo bem, me permito lembrar.
Lembrei daquele dia em que te conheci no barzinho do Raul. Uma morena linda, de olhos brilhantes, sorriso meigo e corpo escultural. Ela estava bebendo e conversando com o barman, soltava umas gargalhadas que atiçava a curiosidade alheia para saber qual o motivo de tanta graça. Entrei no bar, ela me fitou. Pelo seu olhar eu percebi que ela era uma das minhas: Perigosa, interessante, charmosa, encanta. Tem aquele papo que te prende no canto, junto com o olhar marcante. Sabe fazer bonito, com jeito. É um tiro às cegas, mas o alvo é certeiro. Típica cafajeste, daquelas que dá trabalho e gosto. - Sentei próxima o suficiente para iniciar uma conversa, longe o suficiente para querer me aproximar. Pedi uma bebida, atrevida, comentou o meu pedido.
Sorri, aquele sorriso de conquista, esbaldando charme e simpatia. Ela fitava minha boca, e eu fitava todo seu corpo. O jogo havia começado, estávamos com as melhores cartas e a previsão era de empate.
Conversávamos como se nos conhecêssemos há décadas, o papo fluía com a mesma facilidade que a bebida, e logo estávamos embriagadas e excitadas, planejando pelo olhar um fuga para que nossos corpos se encontrassem. Mas, como isso era um jogo, dificultávamos a partida com movimentos bem caculados, cautela, um movimento errado poderia levar tudo por água baixo. A gente se curtia a cada risada dada juntas, a gente hesitava no jeito de se mover, porque apenas um toque acenderia o vulcão, e cá entre nós, vulcão aceso faz um estrago danado, não importa o lugar, não tem pausa.
A gente se envolvia com a maior facilidade do mundo, você parecia não ter compromisso com ninguém a não ser com a vida. Inteligente, mulher independente, sabe o que quer, e faz de tudo pra ter o que quer.
Chegou no meu ouvido de mansinho, sussurrou: Quero teu carinho. E de lá saímos de fininho.
Te levei no meu apartamento, abri a melhor garrafa de vinho, sem nos importar caímos na cama e acordamos o vizinho.
O breu deu uma brecha para a luz do porte e eu conseguia ver seus olhos. Eu comecei a me aprofundar nas tuas curvas sedutoras, tua pele morena macia. Você não resistia e relaxava, sua voz baixinho me perguntava então, de quem era a culpa. Me envolvi, me deixei levar, poesia bateu na minha porta, então me aproximei dos seus lábios, com minha mão conhecendo seu corpo, comecei a falar: 
A culpa é do toque, do beijo, do fogo que acende quando você chega perto. A cor dos teus olhos, da sua respiração ofegante no meu ouvido, do som que escapa quando eu prolongo um pouquinho. A culpa é sua morena, que com o sorriso malicioso me prende, sabe do seu feitiço, faz e não se arrepende. A pele chega a brilhar, curvas de desejo a me cegar. Você é o que você requer, recruta, rabisca, traga, goza e lê. Você é o que ninguém vê.
Ela num gesto de redenção me beijou, me apertou, se entregou. Eu sentia nossos corações batendo num só ritmo, foi aí que percebi que havia sido criado uma conexão intensa demais para durar só uma noite.
Ela cantarolou sorrindo 'deixa essa noite saber que um dia foi pouco' e me abraçou, deu um cheiro no meu cangote, e agradeceu. Eu sabia que havíamos nos apaixonado, mas não era possível nos prender. Éramos livres demais, acessíveis demais, não nos entregávamos com facilidade. A gente se curtiu, se cuidou enquanto foi tempo. Ela foi embora, e eu continuei o que eu nunca deixei de fazer. Ela me liga, diz sentir saudades, e apesar de estamos com outros corpos por aí, que não nos fazem sentir o que sentimos uma pela outra, sabemos que vamos voltar e ficar. Enquanto não é tempo, deixa a vida levar.
Na hora certa a morena volta pra cá, porque nós sabemos o que fazemos de melhor.