domingo, 10 de junho de 2012
É fato.
Inconstante. Essa é a palavra que descreve o nosso sentimento. Unilateral, essa colisão de esforço vulnerável a pequenos gestos e sensações-não-experimentadas. Recíproco, mas por que tão custoso? Se o que a gente tem a sonhar, jamais se igualará ao que foi dado e preenchido pelo teu coração? O sentimento puro, leve à alma; Você não é achável por aí. Eu sempre me lembro de te olhar intensamente antes de ir embora, para nunca me esquecer que é você quem estou deixando ao atravessar a porta. São movimentos únicos e ternos que faço, quando a questão é você. A maneira como cumprimento o seu porteiro, a maneira como acaricio sua gata, como te prendo num abraço. Isso por causa do amor incontrolável que pula do seu peito para o meu e inunda meus olhos com um brilho insano de uma criança que só deseja receber afeto após afeto. Porque o que eu encontro na rua é lixo demais para minha mente, é sujeira em excesso que gruda na minha pele e mistura a minha cor, fazendo com que eu só me sinta livre disposta viva esbelta e inabalável quando eu sou obrigada a lavar minhas mãos vinte e sete vezes porque a sua paranoia me impede de tocá-la sem estar completamente limpa de toda aquela corrupção corporal e emocional. E mesmo assim é de você que eu não sei o que esperar - e nem posso pensar em revidar! - pra ser boba basta entrar na onda, basta jogar. Mas a verdade é que quanto mais eu tento desfazer, quanto mais eu tento fugir mais eu me enrolo e me enrosco na cabana de cobertor, mais eu me perco nos vinte e dois botões do seu elevador mas juro com a intenção de não nos magoar e não nos aprisionar naquilo que todo mundo chama de amor, porque enquanto é tempo eu gasto nosso tempo subindo de escada e evitando seus vizinhos e todas aquelas sensações de que com você é diferente por você ser diferente e isso me torna diferente da minha realidade que agora é outra e que me faz ser mais dependente daquilo que não é achável, daquilo que não é estável e que me deixa sem dormir. É difícil mas eu soco meu estômago todos os dias e vou para sua casa de barriga vazia só para garantir que não há borboletas para eu regurgitar quando te encontrar. Eu vivo de acrobacias para garantir a sua alegria que sempre duram por alguns dias e depois se tornam lagoinhas. Mas mesmo com toda essa contradição, com essa vida na contra-mão não me é mais aceitável dizer não, talvez eu esteja mesmo repleta da sua indiferença, daquele seu modo mesquinho de demostrar que se importa, e que mesmo negando e te deixando eu já não sei fazer mais nada a não ser diferente de todo mundo que não é como a gente. Talvez o nosso amor tenha nos invadido pela boca, enquanto a gente se olhava e sorria diante das baixarias que a gente vivia. Talvez eu esteja contagiada por um tipo de sintonia que eu sentia quando menininha, aquelas idealizações de criança na hora de 'gostar'. Talvez, sei lá! Nunca me ficou tanto tempo na cabeça um trecho do teatro mágico "que o teu afeto me afetou, é fato". De repente não seja assim tão raro, se encantar com o amor inimaginável.
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